O governo federal quer abrir linhas de financiamento para setores econômicos específicos que possam ajudar a impulsionar o emprego e reaquecer a economia, sem que haja um impacto inflacionário. A informação foi obtida pela Agência Reuters a partir de fontes do governo.

A expectativa é que parte dessa estratégia para tentar reverter o quadro de recessão que o país enfrenta desde o ano passado seja apresentada pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, no próximo dia 28.

Preocupado em não passar a imagem de que o governo virá com soluções milagrosas ou com um pacotão de medidas econômicas, fontes do Palácio do Planalto reforçam que será apresentado ao Conselho uma “estratégia”, buscando o reequilíbrio fiscal, a retomada do crescimento e controle da inflação.

“Aquecer a economia e controlar a inflação são coisas que podem ser antagônicas. O governo precisa ter uma estratégia para conciliar as duas coisas”, ponderou uma das fontes do Planalto.

A presidente Dilma tem repetido que o governo vai adotar uma política econômica visando os três eixos: reequilíbrio fiscal, crescimento e controle da inflação. O governo entende, segundo uma das fontes, que não pode retomar estratégia de insuflar o consumo com a inflação a 10 por cento, mesmo em um cenário de retração da demanda.

A estratégia desenhada até agora é investir, mesmo que sem crédito subsidiado, em áreas que não dependam do mercado interno e possam gerar empregos. Na mira do governo estão as obras de infraestrutura, dentro das limitações orçamentárias do governo; o incentivo a pequenas e médias empresas, que geram emprego; e a exportação.

Além disso, o Ministério do Planejamento divulgou nessa semana que devem ser leiloados 8 trechos de rodovias, 4 de ferrovias, 4 aeroportos e 5 portos. A medida faz parte do pacote de novas concessões do Programa de Investimento em Logística (PIL), o qual prevê investimentos de R$ 198,4 bilhões. Contudo, ainda não foram confirmadas as datas dos leilões.

EXTERIOR 

Na semana passada, a presidente Dilma reuniu Barbosa e os ministros Armando Monteiro (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Mauro Vieira (Relações Exteriores), e Kátia Abreu (Agricultura) para discutir políticas para a área de comércio exterior. De acordo com uma das fontes do governo, Dilma está convencida que as exportações podem ser uma das principais alavancas para a retomada do crescimento.

O governo estuda um fundo com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com financiamento corrigidos pela taxa de juros de longo prazo (TJLP), para empresas que começarem a exportar, especialmente as pequenas e médias.

Segundo a fonte, seria um financiamento “de embarque” para que as empresas possam se preparar para exportar, comprar matéria-prima, produzir e segurar seu capital de giro até começar a receber do exterior.

O formato ainda está em estudo pelo BNDES e não deve ser anunciado como programa durante a reunião do Conselhão, mas as exportações devem integrar a pauta. O governo também trabalha com a intenção de acelerar a ampliação de acordos econômicos com o México, Peru e Colômbia e iniciar outras negociações, além de medidas para desburocratizar o processo de exportação.

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