Crise energética faz crescer procura por geradores

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Equipamento supre a falta de energia em momentos de interrupção e reduz custo com eletricidade

Por Aline Moura

A substituição da energia elétrica convencional por geradores tem sido uma alternativa para as indústrias brasileiras que buscam driblar a crise energética no País e reduzir os custos com a eletricidade. O papel dos geradores é substituir ou complementar o serviço fornecido pelas concessionárias, de maneira temporária ou permanente. Significa que sempre que o fornecimento regular de energia for insuficiente ou nos horários em que o valor pago pelo consumo é maior (R$/kWh), os geradores de energia elétrica são acionados. Uma suspensão temporária no suprimento pode acarretar enormes prejuízos para muitas indústrias devido a interrupção do ritmo produtivo e, com isso, os geradores despontam como uma solução apropriada. Além da economia na conta de energia, que pode chegar até 30%.

A procura por geradores aumentou após o ministro de energia Eduardo Braga anunciar, em fevereiro, um plano emergencial que incentiva o uso de geradores próprios por grandes consumidores de energia elétrica para garantir o abastecimento de energia no Brasil nos horários de maior demanda. O horário de pico (ou horário de ponta) corresponde ao intervalo de três horas consecutivas, definido pela concessionária, entre 17h e 22h. O valor do kWh também pode variar de acordo com a cidade/estado e, diferente dos consumidores residências que pagam uma tarifa única durante todo dia, as indústrias pagam mais pelo período que o consumo é maior. Esta diferença se deve a faixa conhecida como horo-sazonal, que estabelece tarifas para os horários de ponta e fora de ponta e ainda estipula valores distintos para períodos de maior disponibilidade. Os preços diferenciados permitem ao consumidor gerenciar suas despesas.

Em nota, publicada no dia 08 de abril, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), do Ministério de Minas e Energia, informou que o risco de qualquer déficit de energia nos subsistemas das regiões Sudeste e Centro Oeste reduziu para 4,9%. Em março, esse risco era de 6,1%. Na região Nordeste, o risco se manteve em 1,2%, mesmo patamar apontado na reunião anterior do Comitê. Eduardo Braga disse que “a possibilidade de racionamento de eletricidade no País é cada vez menor, e a queda no consumo de energia nos últimos meses tem ajudado a manter o equilíbrio estrutural do sistema elétrico”, embora as principais bacias hidrográficas onde se situam os reservatórios das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste tenham enfrentado uma situação climática desfavorável em termos de chuvas.

Segundo Douglas Furtado, diretor comercial da RSGeradores, representante e assistente técnico da Heimer Grupos Geradores, uma das maiores fabricantes de grupos geradores do mundo, a procura pelo equipamento teve um aumento de 40% nos últimos meses. “Em caso de geração a gás natural, se produz o kWh a R$0,35, mais barato que algumas tarifas. Em outra situação, o uso do gerador a diesel no horário de ponta gera economia suficiente para pagá-lo, ou seja, não há um centavo de acréscimo ao custo fixo do comprador, que em três ou quatro anos paga um equipamento de altíssima utilidade”, afirma. A Stemac Grupo Geradores, uma das líderes no setor de geradores, viu a procura pelo equipamento aumentar 60% em relação à do ano passado, diz matéria da Folha de S. Paulo. A expectativa da empresa é que haja um aumento de cerca de 20% do número de compras.

Entre os tipos de produtos para geração de energia disponíveis no mercado, têm os geradores a diesel, a gás natural e as turbinas geradoras de energia elétrica e térmica. “Os geradores a gás natural são alimentados constantemente, ou seja, podem trabalhar fulltime, os equipamentos a diesel, em regra geral, dispõem de combustível para operar de 10 a 12 horas, podendo ainda contar com um tanque externo de qualquer proporção, desde que atendendo normas dos órgãos competentes fiscalizadores”, explica Furtado. Existem geradores de várias faixas de potências e o preço está diretamente ligado a capacidade do equipamento. Por exemplo, uma máquina de 500 kVA completa (com container e transferência em rampa) gira em torno de R$ 175.000,00, já um equipamento de 100 kVA na mesma configuração, custa R$ 65.000,00. “Via de regra o gerador bem dimensionado com uso no horário de ponta gera economia na ordem de 25%”, informa o diretor comercial Douglas Furtado.

Cerâmicas adotam geradores para reduzir gasto com eletricidade

Dependendo da localização da indústria de cerâmica vermelha, da qualidade do fornecimento oficial e das peculiaridades do processo produtivo, a utilização de grupos geradores de energia elétrica torna-se praticamente obrigatória. “O aumento do uso de geradores também se deve a automatização das cerâmicas, bem como iniciativas de eficiência energética para garantia da energia”, pontua o consultor técnico da Anicer, Vagner Oliveira. No processo de produção os fornos contínuos, dos tipos Hoffman, Câmara e Túnel não podem parar e, portanto, a utilização dos geradores garante a energia em casos de instabilidade no fornecimento e reduzem os gastos nos períodos de demanda.

“Nosso gerador é utilizado no horário de pico, das 18h às 21h, e somente nos feriados não é ligado. Também é usado quando falta energia por mais de uma ou duas horas até o restabelecimento da mesma”, afirma Jorge Ritter, proprietário da Cerâmica Ritter, situada em Campo Bom (RS), fabricante de blocos de vedação e tijolos maciços, com produção mensal em torno de 450 a 500 mil peças. Ritter diz que “a cerâmica reduziu em torno de 10 a 12% as despesas com a conta de luz, uma vez que usamos o mesmo no horário de pico”.

Eficiência energética gera economia

Diante da crise energética, a Cerâmica Ritter tomou algumas medidas para economizar energia e reduzir os custos, como instalação de capacitores medidores de energia reativa e substituindo motores antigos. Para os empresários interessados em desenvolver um trabalho voltado a eliminar desperdícios com eletricidade, reduzir custos de produção, modernizar equipamentos e processos, o projeto Cerâmica Sustentável é + Vida, realizado pela Anicer em parceria com o Sebrae, possui uma Consultoria para Eficiência Energética, distribuída em todo o território nacional, organizada em ações coletivas ou individualmente, por meio dos parâmetros desenvolvidos em conjunto com o Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vido – CTCV. O diagnóstico vai avaliar as perdas energéticas para a elaboração de um plano de racionalização do uso de energia e definição de um cronograma de implantação das medidas indicadas. O CS+V tem o objetivo de promover a sustentabilidade nas micro e pequenas indústrias de cerâmica vermelha, oferecendo um conjunto de ações para implantação da gestão empresarial, promoção da inovação tecnológica, eficiência energética e licenciamento ambiental que permita a incorporação e o tratamento de resíduos sólidos nos processos produtivos.

Sistema de Bandeiras Tarifárias indica o custo da energia

A partir deste ano, as contas de energia têm uma novidade: o Sistema de Bandeiras Tarifárias. As bandeiras verde, amarela e vermelha – as mesmas cores dos semáforos – indicarão se a energia custará mais ou menos, em função das condições de geração de eletricidade. De acordo com as informações técnicas disponibilizadas no site da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), é o sistema que sinaliza aos consumidores os custos reais da geração de energia elétrica. Quando a bandeira está verde, as condições hidrológicas para geração de energia são favoráveis e não há qualquer acréscimo nas contas. Se as condições são um pouco menos favoráveis, a bandeira passa a ser amarela e há uma cobrança adicional, proporcional ao consumo, na razão de R$ 2,50 por 100 kWh. Já em condições ainda mais desfavoráveis, a bandeira fica vermelha e o adicional cobrado passa a ser proporcional ao consumo na razão de R$ 5,50 por 100 kWh. A esses valores são acrescentados os impostos vigentes. A bandeira é aplicada a todos os consumidores, multiplicando-se o consumo (em quilowatts) pelo valor da bandeira (em Reais) – se ela for amarela ou vermelha. Os estados do Amazonas, Amapá e Roraima não participam ainda do Sistemas de Bandeiras, por não estarem totalmente incluídos no Sistema Interligado Nacional.