| Entenda as diferenças entre os selos de qualidade ISO e o que eles falam de interesse do setor
No início dos anos 90, um selo ganhou notoriedade, ainda que seu reconhecimento tenha sido tardio, considerando a data de criação do documento e a importância como tutorial para vários objetivos. Foi a consagração do selo ISO, da Organização Internacional para Padronização (International Organization for Standardization), instituição não-governamental internacional de padronização, formada por representantes de mais de 150 países, que, atualmente, entre outras finalidades, tem como missão estabelecer o padrão mundial para a implementação de diretrizes relacionadas à responsabilidade socioambiental. Fundada em 23 de fevereiro de 1947, em Genebra, na Suíça, a Organização Internacional para Padronização aprova normas internacionais em todos os campos técnicos (exceto na eletricidade e eletrônica) e seus escritos podem render bons frutos em diversos setores da empresa.
Foi em 1987, com a criação do ISO 9000, grupo de normas técnicas que sugerem um modelo de gestão de qualidade, que se levantou uma preocupação maior com os modelos de produção e se criou uma nova visão de competitividade por parte dos empresários - e de consumo por parte do mercado.
A procura por produtos ISO 9000 virou uma obsessão, àquela época. Ainda que, no fim das contas, o burburinho tenha sido muito maior do que o entendimento do consumidor sobre o que aquele selo realmente garantia ao produto, a explosão de mercadorias com um selo de garantia internacional estimulou o conhecimento mais a fundo do que ele realmente significava e o seu valor para a empresa e para o consumidor final.
Para a indústria cerâmica, assim como para vários outros segmentos, há uma cartela de selos ISO que guiam os empresários de maneira a evitar desperdícios na produção, produzir com qualidade, gerar maiores lucros e beneficiar o meio ambiente.
O ISO é apenas um guia de diretrizes que, seguida à risca e após auditoria, constatando-se o resultado final positivo da implantação do sistema, gera um selo de garantia ao produto, respeitado internacionalmente.
Destacamos nesta matéria alguns ISO de interesse da indústria de cerâmica vermelha e aproveitamos para desmistificar esse importante selo de qualidade, que funciona como um roteiro de boas maneiras para se chegar ao nível desejado de qualidade e eficiência na produção. Os selos listados abaixo tratam de questões em voga, como o conforto térmico, a responsabilidade social e a sustentabilidade.
ISO 9000
Em 1987 a ISO editou a série 9000 com o objetivo de estabelecer critérios para implantação de Sistemas de Garantia da Qualidade. A primeira versão criou uma estrutura de três normas sujeitas à certificação, a ISO 9001, 9002 e 9003, além da ISO 9000 que era uma espécie de guia para seleção da norma mais adequada ao tipo de organização.
Ter um certificado ISO 9000 significa que uma empresa tem um sistema gerencial voltado para a qualidade e que atende aos requisitos de uma norma internacional. Não há obrigatoriedade para se ter a ISO 9000. As normas foram criadas para que as empresas as adotem de forma voluntária. O que acontece é que muitas empresas passaram a exigir de seus fornecedores a implantação da ISO, como forma de reduzir seus custos de inspeção. Teoricamente, se o seu fornecedor tem um bom sistema que controla a qualidade, você não precisa inspecionar os produtos que adquire dele. Hoje, qualquer empresa que fornece a uma outra grande empresa é solicitada a ter a ISO 9000. Outros segmentos de mercado que não fornecem diretamente às empresas também adotam a ISO como forma de marketing, ou seja, ter um sistema com reconhecimento por uma entidade independente é um grande elemento de marketing. Outras implantam a ISO porque enxergam uma grande possibilidade de reduzir seus custos internos.
Em sua essência, a ISO 9000 é uma norma que estabelece critérios para um adequado gerenciamento do negócio, tendo como foco principal a satisfação do cliente e do consumidor. Isso acontece através de uma série de ações propostas, entre as quais podemos destacar: o comprometimento com a qualidade, o adequado gerenciamento dos recursos humanos e materiais necessários para as operações do negócio, a existência de procedimentos, instruções e registros de trabalho formalizando todas as atividades que afetam a qualidade e o monitoramento dos processos através de indicadores e tomada de ações quando os objetivos pré-estabelecidos não são alcançados.
Ao decidir implantar a ISO, ao final do processo a empresa precisa contratar uma companhia certificadora que realizará uma auditoria, a fim de verificar se a empresa atende aos requisitos da norma. Esta companhia certificadora é uma entidade independente e autorizada para realizar as auditorias, no nosso caso, o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia e Qualidade Industrial).
O custo disso? Empresas bem estruturadas normalmente precisam de pouco investimento, bastando formalizar (escrever os procedimentos e instruções) as atividades. Outras, com pouca estrutura, acabam necessitando um maior investimento, muitas vezes necessitando investir muito em treinamento e até em aquisição de equipamentos. O que é importante considerar no cálculo do investimento é o quanto a empresa precisa mudar, inclusive sobre aspectos culturais, para ter um bom sistema de gestão da qualidade. Sendo assim, o investimento pode ser mínimo (apenas horas de profissionais para redigir os procedimentos).
ISO 14000
O ISO 14000 é um conjunto de normas que definem parâmetros e diretrizes para a gestão ambiental às empresas (privadas e públicas), criadas para diminuir o impacto provocado pelo processo de produção ao meio ambiente. Seguindo as normas do ISO 14000, empresas que se utilizam de recursos naturais podem reduzir significativamente os danos causados à natureza. Quando uma empresa segue as normas e implanta os processos indicados, ela pode obter o Certificado ISO 14000. Este certificado é importante, pois atesta que a organização possui responsabilidade ambiental, valorizando assim seus produtos e marca. Para conseguir e manter o certificado ISO 14000, a empresa precisa seguir a legislação ambiental do país, treinar e qualificar os funcionários para seguirem as normas, diagnosticar os impactos ambientais que está causando e aplicar procedimentos para diminuir os danos ao meio ambiente.
ISO 14001
A ISO 14000 é constituída de subcomitês, entre eles, aquele que trata dos Sistemas de Gestão Ambiental, especificamente. O Subcomitê 1 da ISO 14000 desenvolveu a norma ISO 14001 que estabelece as diretrizes básicas para o desenvolvimento de um sistema que gerenciasse a questão ambiental dentro da empresa, ou seja, um sistema de gestão ambiental. É a mais conhecida entre todas as normas da série 14000. A norma reconhece que organizações podem estar preocupadas tanto com a sua lucratividade quanto com a gestão de impactos ambientais. A ISO 14001 integra estes dois motivos e provê uma metodologia altamente amigável para conseguir um Sistema de Gestão Ambiental efetivo. Na prática, o que a norma oferece é a gestão de uso e disposição de recursos naturais. É reconhecida mundialmente como um meio de controlar custos, reduzir os riscos e melhorar o desempenho. Não é só uma norma “no papel” – ela requer um comprometimento de toda a organização. Se os benefícios ambientais e seus lucros aumentam, as partes interessadas verão os benefícios.
ISO 26000
Depois da Gestão da Qualidade (série ISO 9000) e da Gestão Ambiental (série ISO 14000), a Organização Internacional para Padronização olha também para o atualíssimo tema da responsabilidade social, tendo como objetivos a ciência do dever humano (ética) e abordando também o desenvolvimento sustentado da sociedade. Prevista para ser concluída em 2010, a ISO 26000 é um guia de diretrizes que apresenta definições e princípios para a adoção da responsabilidade social por todos os tipos de organizações, envolvendo empresas, governos e Ongs.
O Grupo de Trabalho de Responsabilidade Social da ISO (ISO/TMB WG) – responsável pela elaboração da ISO 26000 - é liderado em conjunto pelo Instituto Sueco de Normalização (SIS - Swedish Standards Institute) e pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Assim, o Brasil, juntamente com a Suécia, passou a presidir de maneira compartilhada o grupo de trabalho que está construindo a norma internacional de Responsabilidade Social.
Como a ISO 26000 não é passível de certificação, caberá às partes interessadas se conscientizarem da importância desta norma e levar a teoria do documento para a prática. O fato é que, quem estiver fora, tende a ser excluído do novo mundo que buscamos, mais sustentável.
ISO 7730
A indústria de cerâmica vermelha poderá ser facilmente contemplada com este selo de qualidade, já que se trata de uma característica peculiar dos produtos cerâmicos: o conforto térmico. A norma ISO 7730, publicada em 1984, é resultado da investigação desenvolvida na Dinamarca por Fanger (1972) e tem como base a formulação de uma equação de conforto térmico que correlaciona “sensação térmica” com a atividade metabólica do corpo humano.
O ISO 7730 exige alguns cálculos para a adequação ao nível de conforto térmico, segundo os valores recomendados pela norma. Esses valores são obtidos com a ajuda de um software denominado Fanger.
Ciente destes e outros procedimentos possíveis cada Cerâmica pode identificar os mais apropriados e estratégicos para o negócio e mãos à obra.
* A ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), entidade responsável pelas ISO no Brasil, possui o conteúdo oficial das normas expedidas pela Organização Internacional para Padronização.
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