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Quero comentar sobre a banalização do termo “ecológico” ou “ecologicamente correto”. Não sei se o meu entendimento sobre o assunto é ruim ou se muitos têm se aproveitado disso para tentar mudar sua imagem perante o consumidor, que se torna cada vez mais responsável pelos problemas do efeito estufa.
 
Sempre tive como base, que produtos não-prejudiciais ao meio ambiente são aqueles que por sua matéria-prima, processo de fabricação, vida útil e concepção sejam mais eficientes em suas aplicações, trazendo benefícios econômicos, energéticos e bom desempenho.
 
Dentro deste contexto, tenho ficado estarrecido com notícias que leio todos os dias sobre produtos que, por meio de uma propaganda maciça e bem elaborada, mudam de posição da noite para o dia, ao se auto-intitularem sustentáveis, como num passe de mágica.
 
Sei que nossos produtos ainda enfrentam algumas resistências por parte de pessoas desinformadas a respeito do seu processo de queima. Talvez tenha sido uma falha que cometemos, o fato de não propagarmos na mídia nossa contribuição para o ambiente que é a queima, em nossos fornos, de resíduos orgânicos, evitando assim que eles emitam o gás metano, com potencial de aquecimento atmosférico vinte e uma vezes maior que o CO2 .
 
Essa mudança em direção à sustentabilidade tem possibilitado a um grande número de Cerâmicas obterem certificados de redução de emissões de carbono, e um numero muito maior em processo. Antes disso, devemos lembrar que temos um produto totalmente natural, que reúne todas as características que tornam seu desempenho superior aos concorrentes, em termos de: eficiência energética, resistência mecânica, isolamento térmico e acústico e vida útil ultra extensa. Além disso, quando não mais utilizados não são agressivos ao ambiente, fato comprovado há milhares de anos.
 
Minha preocupação é que estas campanhas publicitárias fortes e caras promovendo produtos que nem tem estas características, influenciem técnicos e autoridades que liberam a utilização desses produtos em detrimento de outros comprovadamente superiores. Vejamos notícias de um de nossos concorrentes. Em recente matéria em O Globo, no caderno Morar Bem, na coluna “Jogando Verde”, de sete de fevereiro de 2010, intitulada “Sistema de construção a seco dry wall também é ecológico”.
Vou reproduzir os pontos mais importantes da tese deles. A matéria diz que este é um sistema que substitui tijolos, pedras e argamassa por chapas metálicas aparafusadas a placas de gesso.
Primeiro, são placas de gesso acartonadas aparafusadas a perfis metálicos, esquecendo de mencionar que o dry wall na verdade é o gesso acartonado. Isso quer dizer que é um produto que, além da siderurgia ainda engloba uso do gesso, que também passa por um processo de queima, em fornos rudimentares em sua grande maioria, utilizando combustíveis ineficientes para tal. Agrega-se a isto o cartão feito de papel, que todos sabemos que é produzido com grandes quantidades de árvores e água.
Outro fato alardeado foi o da redução de entulhos de obra, que na alvenaria tradicional geraria 20% e no sistema deles só 5%. Esqueceram novamente de dizer que nos sistemas racionalizados de alvenaria também se reduz a 5% ou menos esse entulho, com uma grande diferença. O entulho de alvenaria convencional não é nocivo ao meio ambiente enquanto que o de gesso é muito prejudicial, segundo a portaria 307 do Conama Art. 3°, que os classifica na classe “C” – resíduos para os quais não foram desenvolvidas tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permitam sua reciclagem. Enquanto isso, o nosso é classificado como “A” – resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados.
 
Outros destaques na matéria foram o baixo peso e o curto tempo de execução, esquecendo de se mencionar a baixa resistência a impactos e à compressão. Outra informação que ficou de fora é sobre o isolamento térmico e acústico. Será porque nestes casos eles tenham que usar isolante, geralmente lã de rocha ou de vidro, altamente poluentes.
 
E, por fim, faz uma comparação de como nós brasileiros seríamos atrasados em relação aos norte-americanos, por que eles têm um consumo per capita de 10 m² de dry wall e nós somente 0,4m².
Talvez seja por utilizarem produtos e sistemas tão ecológicos, como este, que os norte americanos são os maiores poluidores mundiais. E, por defenderem este estilo de consumo, não aceitem assinar nenhum acordo razoável de preservação ambiental.
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Em continuidade à minha análise sobre a banalização do termo “ecológico” nas tentativas oportunistas de alguns segmentos em se apoderar deste rótulo, vou falar de um segmento importante para a construção, mas que jamais poderia se qualificar como “eco” ou sustentável.  É a indústria do cimento, considerada a terceira maior poluidora do mundo, em emissões de gases, devido ao uso intensivo de energia e pela mineração de alto impacto.
 
Apesar destes fatos, presenciamos um esforço de marketing deste setor para posicionar seu produto, como ecológico. Os argumentos lançados são de que utilizam resíduos de siderurgia na sua composição, queimam de pneus descartados em seus fornos. Mas não dizem que são responsáveis por 7% de emissões de CO2 mundiais e, como é o caso de outras indústrias, esquecem todos os malefícios que o seu processo de fabricação traz ao meio ambiente, como gases altamente prejudiciais à atmosfera.
 
Em comparação com nossos produtos, verificamos que por serem mais pesados os produtos de concreto, gastam o dobro do combustível nos transportes, pois são necessárias mais viagens para transportá-los. Somado a isto, temos que, na maioria dos casos, as matérias-primas daquela indústria viajam centenas de quilômetros até suas fábricas, gerando enormes emissões de CO2 no transporte. Além disso, há o consumo intensivo de energia elétrica, tanto na fabricação quanto no transporte vertical dos pesados blocos e telhas de cimento nas obras.
 
Precisamos alertar os profissionais e construtoras sobre essas diferenças, especialmente neste momento, em que a construção civil vem sendo cobrada pela sociedade para se tornar cada vez mais sustentável. Por isso, não podemos permitir que produtos e sistemas já rejeitados para a construção de habitações sejam reabilitados por meio de manobras publicitárias que visam caracterizá-los como sustentáveis.
 
Vejo uma tentativa de voltarem a produzir casas populares com paredes de concreto com o uso de fôrmas metálicas na sua construção, mesmo com todos os problemas causados por este sistema, incluindo-se aí a ausência de conforto térmico nas habitações. Aliás, passaram a divulgar que basta pintar as paredes de branco para resolver este problema, simples assim.
 
Reconheço a importância do cimento, que trouxe novas possibilidades para a construção mundial desde a sua invenção há pouco mais de um século. Mas, não concordo que ele seja tratado como se fosse solução para tudo, sobretudo no momento em que ficam tão claras as suas implicações para o meio ambiente.
 
Não é mais cabível o argumento de que construir com sistemas que reduzem o uso de mão de obra e, talvez, diminuam seus custos finais possam se sobrepor às questões ambientais, e à criação de empregos formais em nosso país.
 
 
Por todos estes motivos, não se justifica a substituição de produtos eficientes e bem menos poluentes pelos de base cimentícia, tão poluentes. O cimento é importante sim, mais não é a única opção. Devemos utilizá-los quando não houver alternativas viáveis para substituí-lo. Não podemos deixar que essa inversão de valores aconteça. Temos que alertar aos consumidores e às autoridades que liberam os recursos para as obras que esta propaganda ecológica não é verdadeira.
 
Nossos produtos para alvenarias e coberturas ainda são os melhores, mais naturais e mais testados pela humanidade em suas residências. Só precisamos dizer isso a todos, incessantemente.
 
Aproveito a oportunidade para parabenizar, mais uma vez, o Sindicercon, Acertar, Acervir, Grupo Tetto,  Senai e parceiros pelo grande sucesso da Casa Cerâmica na Feicon. Parabéns a todos pela iniciativa!
 
Um abraço a todos,
 
Luis Lima
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