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Otimismo da indústria de cerâmica vermelha com crescimento traz preocupações no longo prazo

Embora a demanda esteja aquecida, com previsão de crescimento de até 20% somente neste ano, os produtores de cerâmica vermelha de todo o país veem com preocupação a crescente substituição dos tradicionais tijolos, blocos e telhas cerâmicas por produtos feitos com outros materiais, como plástico, metal e concreto, por exemplo. O problema já é detectado pelo setor há mais de 50 anos, com a entrada da telha de amianto no mercado, mas a situação hoje é considerada crítica pelos produtores, já que o setor opera a capacidade máxima e não consegue dar conta de toda a demanda. A questão dominou os debates do 39º Encontro Nacional do setor promovido pela Associação Nacional da Indústria de Cerâmica Vermelha (Anicer), que encerrou nesta sexta-feira (27), em Florianópolis (SC), reunindo 2,3 mil pessoas.

Luis Lima, presidente da Anicer, lembra que o setor deteve historicamente sempre a maior fatia do mercado. “Sempre tivemos uma parcela de até 90% do mercado de coberturas e alvenarias do país e conseguíamos atender toda a demanda. Hoje, no entanto, trabalhamos com capacidade produtiva máxima e não conseguimos atender a este aumento do consumo”, informa Lima, acrescentando que “ao deixar de atender parte da demanda o espaço ficou livre para ser atendido pela concorrência, com produtos que, se no início eram considerados apenas de oportunidade, hoje já se consolidaram no mercado”.

Para o presidente da Anicer, o setor deve investir com urgência na modernização do parque fabril e na ampliação da capacidade produtiva. “Este é apenas a primeira de uma série de ações que devemos implementar em nossa indústria”, diz.  Na sequência, segundo ele, devem vir ações voltadas para a diversificação do mix de produtos, rigoroso atendimento às normas técnicas, adoção de processos sustentáveis na produção, criar itens de maior valor agregado e, principalmente, adotar o marketing como difusor de conhecimento e imagem de marca.

Aposta no marketing – Embora mal aproveitado pelos ceramistas nacionais, o marketing mostrou ser aliado de peso junto aos fabricantes europeus, como ficou claro no fórum de mercado internacional realizado durante o evento. Especialistas portugueses, espanhóis e holandeses foram unânimes em apresentar o planejamento de marketing como o grande diferencial desta indústria por lá, ao lado da oferta de produtos de maior valor agregado que eles chamam de “produtos de nicho”.
Tanto na visão dos especialistas internacionais como dos nacionais presentes ao evento, a conclusão é que a sobrevivência deste segmento industrial, no país e no mundo, está associada à ousadia de se reinventar e se mostrar. Principalmente, como diz o presidente da Anicer, “se mostrar ao consumidor como uma alternativa nobre, uma escolha saudável e segura, sem substitutos a altura”.

 

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Cerâmica vermelha: mercado cresce, mas avanço de produtos substitutos preocupa

Com quase 70% da produção total de cerâmica vermelha no país, o segmento de blocos cerâmicos e tijolos vive um cenário de demanda aquecida, mas perda de mercado. Se há 10 anos o setor atendia mais de 90% do mercado de construções em geral, hoje responde por algo em torno de 60%. Esta e outras preocupações do setor foram tema de fórum durante o terceiro dia do 39º Encontro Nacional da Indústria Cerâmica Vermelha, promovido pela Associação Nacional do setor (Anicer) e que termina nesta sexta (27), em Florianópolis (SC). Na avaliação do presidente da Anicer, Luis Lima, esta queda se deve à crescente substituição da alvenaria estrutural por produtos como o concreto e sistemas do tipo drywall.

A estratégia dos produtores para reverter o quadro ou, no mínimo, estabilizá-lo, passa pelo investimento em qualidade do produto final, com maior performance térmica, acústica e de resistência. O setor também está de olho no marketing para garantir a sobrevivência. Poucas vezes utilizado pela indústria de cerâmica vermelha, o marketing seria usado para divulgar os conceitos de segurança (material que não incendeia), saudável (produto natural) e sustentável, já que boa parte das unidades usa biomassa ou gás natural como fonte energética. O presidente da Anicer destaca que o processo de mineração da cerâmica vermelha é de baixíssimo impacto, lembrando também que “as empresas do setor fazem a recuperação total das lavras”.

Telhas mais bonitas – A mesma avaliação é feita para o mercado de telhas, e a receita também é mais investimento em marketing. Dona de 30% da produção do setor e de 60% do mercado de coberturas para construções habitacionais, a telha cerâmica passa por crise semelhante a dos blocos, que é de concorrência e não de demanda. Segundo Lima, a maior concorrente hoje é a telha de concreto, que acabou dominando o mercado nas classes mais altas. Para ele, a chave está em desenvolver novos produtos, mais sofisticados e nobres, e um esforço de marketing conjunto, do setor, para divulgar os benefícios e vantagens do produto. “Temos que trabalhar em conjunto para achar a alternativa de marketing mais eficiente para o setor e que nos ajude a preservar nossos negócios”, alerta o presidente da associação.

O evento já recebeu mais 2,5 mil visitantes, na maioria produtores de cerâmica vermelha. A feira, que acontece paralelamente ao encontro, deve fechar com crescimento de 20% no volume de negócios fechados em relação à edição do ano passado, alcançando os R$ 40 milhões.

 

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Futuro da cerâmica vermelha depende de inovação e sustentabilidade

Especialistas e produtores de cerâmica vermelha da Espanha, Holanda e Portugal trouxeram nesta quarta (25) a empresários brasileiros a experiência européia do setor durante o fórum internacional promovido no segundo dia do Encontro Nacionl da Indústria Cerâmica Vermelha, que acontece no Centrosul, em Florianópolis. Ao falar dos desafios do setor no Velho Continente, os palestrantes apontaram para a necessidade urgente de inovação e investimentos em sustentabilidade.

Na Espanha, por exemplo, onde o segmento trabalha atualmente com apenas 20% da capacidade produtiva, o futuro da cerâmica vermelha está ligado à melhora das qualidades térmicas e acústicas do produto final e ao investimento na sustentabilidade das construções. O palestrante espanhol, Roberto Dias Rubio, destacou ações como o uso do laser no acabamento dos produtos, o que garantiria melhor acabamento, além de diminuir a temperatura de cozimento, contribuindo desta forma para reduzir o consumo energético do setor. “A aplicação de nanotecnologia e a produção de telhas fotovoltaicas (captadoras de energia), cerâmicas translúcidas e que mudam de cor conforme a temperatura são alguns dos principais estudos desenvolvidos pelo setor na Espanha”, destacou Roberto.

Tijolo estético - Já o arquiteto holandês Erik de Geus, que falou sobre o uso da cerâmica vermelha nos Países Baixos, lembrou que o tijolo ainda é o material preferido para as fachadas e paredes externas. Nas paredes internas e estruturais, no entanto, o concreto e outras alternativas já dominam o mercado. Ainda segundo o palestrante holandês, para quem “a sorte do setor é que os holandeses adoram cerâmica vermelha nas fachadas”, hoje no país o mercado é de tijolos estéticos, auxiliado por forte ação de marketing e que assegura a sobrevivência do segmento.

Crise em Portugal - O engenheiro português Carlos Almeida lembrou a crise que o país atravessa no mercado das construções novas e que afeta drasticamente o setor de cerâmica vermelha em Portugal, fazendo com que o número de empresas diminuísse de 26 em 1993 para apenas 8 atualmente. “Estas empresas, no entanto, investem pesado em inovação tecnológica, para fazer produtos diversificados, de valor agregado”, destacou Almeida. Para ele a estratégia para a sobrevivência dos pequenos do setor passa necessariamente pela fabricação de produtos de nicho e alinhados aos conceitos de sustentabilidade.

O evento continua até sexta-feira, 27, no Centrosul, com exposição de equipamentos para o setor, visitas técnicas a cerâmicas catarinenses e clínicas tecnológicas sobre fabricação, tecnologia, sustentabilidade e desafios do futuro.

Foto: Imagem & Arte

 

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